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O que é volatilidade (em finanças)

Liverpool
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O que é volatilidade (em finanças)

por Andre Massaro

Definição de volatilidade

O conceito de volatilidade é, originalmente, da Química. Porém, foi apropriado pelo mundo das finanças para designar a dispersão dos preços de um ativo financeiro ao redor de um determinado ponto de referência (mais sobre isso adiante).

E, das diversas medidas de dispersão estatística disponíveis, existem duas, em particular, que nos dizem respeito: a variância e o desvio-padrão.

Então, podemos dizer que a volatilidade é o quanto que os preços “chacoalham”.

A dispersão pode ser representada, graficamente, pela famosa “curva de sino”.

Vamos imaginar que os dois gráficos representam amostras de mesmo tamanho (mesma quantidade de elementos). Porém, a amostra da esquerda é mais dispersa.

Se Assumirmos, Hipoteticamente, Que

  • Cada um desses gráficos representa uma ação;
  • A amostra for (para cada ação) os preços de fechamento dos últimos 100 dias de cada ação e;
  • O ponto de referência (o traço pontilhado no meio) for a média dos preços nesses últimos 100 dias;

fica bastante evidente que a ação da esquerda é a mais volátil.

A relação entre volatilidade e direção

Indo direto ao ponto: Não há relação entre volatilidade e direção. Volatilidade não tem nada a ver se determinado ativo financeiro valoriza ou desvaloriza. A valorização (ou desvalorização) está mais associada à trajetória de longo prazo do ativo.

Para entender melhor, imagine que você precisa viajar do ponto A para o ponto B.

Você tem duas opções: Você pode ir na caçamba de um caminhão militar (sem direito a levar almofadinha para sentar) ou no banco traseiro de um aristocrático Rolls Royce Cullinan.

Os dois vão te levar para o mesmo lugar, no mesmo tempo. Nos dois casos, você vai “chegar lá”. Talvez você perceba um pouco de sangue em sua urina se optar pelo caminhão, mas, de qualquer forma, vai chegar inteiro. Então, qual das duas opções você prefere?

Essa analogia (talvez um pouco idiota) foi para mostrar que duas ações podem ter a mesma valorização, no mesmo período de tempo. Porém, com volatilidades diferentes.

Investidores normais, em situações normais, preferirão, se as demais condições forem similares, um ativo menos volátil a um mais volátil. É melhor andar de Rolls Royce do que de caminhão.

Tem aqueles que preferem o caminhão, mas falaremos desses mais adiante.

Volatilidade e risco

Em grande parte dos modelos formais e acadêmicos de finanças (como a Teoria Moderna do Portfolio, de Harry Markowitz), a volatilidade é, basicamente, sinônimo de risco específico (ou não-sistemático).

Como sabemos, riscos específicos são aqueles que podem ser gerenciados através de diversificação. Então, supostamente, nós conseguimos “anular” os efeitos da volatilidade combinando, em uma carteira, ativos financeiros com correlações inversas.

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Essa visão de que “risco igual a volatilidade” pressupõe que existe, essencialmente, um único risco específico que é o risco de mercado (o risco da oscilação de preços). É uma visão limitada (na minha modestíssima opinião) e, se você é frequentador habitual do meu site, já deve ter notado que eu exploro bastante o assunto dos riscos financeiros e que existem muitos outros riscos específicos além do risco de mercado. Os modelos formais acabam não dando tanta importância a isso.

A limitação da visão está no seguinte ponto: Vamos retomar o exemplo que eu mencionei, anteriormente, da viagem de caminhão ou de Rolls Royce. O exemplo pressupõe que os dois veículos farão a mesma viagem e no mesmo tempo. A diferença é que um deles vai chacoalhar mais que o outro e a viagem vai ser desconfortável.

Mas, e se um dos veículos quebrar no meio do caminho e não completar a viagem? E se um dos veículos acabar tomando um caminho diferente e se perder?

Assumir que risco é “só” volatilidade é ignorar essas perguntas. Afinal, riscos como o “risco da empresa” (falência de uma empresa) ou risco de crédito (risco de calote ou da quebra de um banco) são, igualmente, riscos específicos e que não estão relacionados (pelo menos não de forma direta) com a volatilidade.

Alguns acadêmicos e estudiosos gostam de dizer “ahhhh… mas esses riscos estão presumidos no modelo”…

E aí, euzinho aqui (que não sou acadêmico nem nada) digo “Não estão presumidos coisa nenhuma. Aliás, vocês já ouviram falar numa coisa chamada ‘cisne negro’?”.

Pois é… Os pássaros pretos e pescoçudos não costumam ter muita consideração por modelos formais de risco, especialmente quando eles são baseados em distribuições normais e ignoram eventos extremos.

Elementos para cálculo da volatilidade

Existem diferentes formas de calcular a volatilidade, mas essas formas têm dois elementos básicos: um ponto de referência e um algoritmo qualquer para calcular o distanciamento do dado em relação a esse ponto de referência.

A dispersão precisa ser calculada “em relação a alguma coisa”. É por isso que é preciso um ponto de referência.

No caso da curva normal “típica”, esse ponto de referência é o valor médio de todos os dados da amostra, que é representado pela linha vertical pontilhada no “meião” da curva de sino. Os dados estão ao redor da média (dentro do “sino”) e a distância é medida pelo desvio-padrão (que é um algoritmo).

Ponto de referência

No mundo das finanças, um problema que temos é em relação ao ponto de referência, pois, apesar da volatilidade (que são movimentações “erráticas” e, presumidamente, de curto prazo), existe uma movimentação de longo prazo (que é a valorização… afinal, é isso que se espera de um ativo financeiro).

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Ou seja, num ativo financeiro, o ponto de referência está, ele próprio, em movimento. Por isso, se pegarmos apenas a média dos preços de um período como referência, vai ficar tudo meio esquisito e distorcido (especialmente se estivermos falando de um período longo).

Existem duas formas comuns de tentar resolver essa questão da referência que se move.

Uma delas é medir a dispersão não em relação a uma média que dá mesmo peso a todos os dados, mas sim em relação a uma média móvel (o pessoal adepto da análise técnica tem bastante familiaridade com médias móveis) que privilegia dados mais recentes. Usando uma média móvel, o ponto de referência vai se “atualizando” à medida que colocamos dados mais recentes. Por exemplo, se estivermos testando uma amostra de preços dos últimos 100 dias, podemos usar uma média móvel de 20 dias como referência.

Outra possibilidade é usar o “beta” (uma referência do mercado como um todo que, presumidamente, também está em movimento). No caso do Brasil, usamos como beta o Índice Bovespa, que é a representação mais ampla do nosso mercado acionário.

Dispersão

Uma vez definida a questão do ponto de referência, é a hora de definir qual vai ser a fórmula para mensurar o afastamento em relação a esse ponto.

Quando se usa médias como ponto de referência, o mais comum é medir a dispersão por desvio-padrão. Alguns usam a variância (uma outra medida de dispersão). Só que a variância dá um número grande (pelo efeito da potenciação) e que não faz muito sentido se interpretado isoladamente. Por isso, a preferência é pelo desvio-padrão.

E, apenas lembrando que o desvio padrão é a raiz quadrada da variância. Por isso, para chegar no desvio-padrão, temos que, necessariamente, calcular a variância primeiro.

Quando se usa o beta como referência, o mais comum é usar outras medidas de dispersão, como a correlação e a covariância, que são mais interessantes para situações em que “tudo está se movendo ao mesmo tempo”.

Tem um outro algoritmo, muito interessante, que é usado em finanças, chamado true range (“faixa verdadeira”, em tradução livre). Não é uma ferramenta estatística “formal”, e sim uma fórmula criada no próprio mercado financeiro que é baseada na amplitude da movimentação dos preços em determinado período (usualmente um dia) e do período imediatamente anterior.

O tal true range é a base de um indicador técnico (usado na análise técnica e em alguns modelos quantitativos) chamado Average True Range (conhecido pela sigla ATR), que é um dos meus indicadores favoritos para usar em trading systems (e tem mil e uma

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